Comunidade Terapêutica

Filosofia do tratamento

A comunidade terapêutica considera o uso de drogas apenas o sintoma – o problema é a pessoa inteira, com uma vida em crise, incapaz de manter-se abstinente, seriamente disfuncional do ponto de vista social e interpessoal, tomando atitudes e condutas antissociais.


As comunidades terapêuticas utilizam a comunidade como agente-chave do processo de mudança – eis o seu método e diferencial-maior em relação às demais modalidades de tratamento.


Nesse contexto, a cultura da recuperação promove a aprendizagem e a cura. Os indivíduos recebem ajuda ajudando aos demais, responsabilizando-se tanto pela própria recuperação quanto ao menos em parte pela recuperação do seu companheiro.


Os doze passos e as doze tradições dos Alcoólicos Anônimos (AA) são a base dos programas de recuperação oferecidos pelas comunidades terapêuticas.


Programas com referência na espiritualidade e / ou na religião também podem compor as abordagens nesse ambiente de tratamento, em graus variados de combinação entre si e com outros modelos.


Alguns modelos igualmente baseados na filosofia dos doze passos, tais como o Modelo Minnesota, são aplicados pelas comunidades, com o intuito de provocar não só a interrupção do consumo, mas uma mudança mais profunda no estilo de vida e no modo do indivíduo se relacionar com seus pares.

Objetivos

O objetivo específico das comunidades terapêuticas é tratar o indivíduo como todo e o objetivo da recuperação é transformar positivamente estilos de vida e identidades pessoais.


Para isso, uma série de programas e metas são oferecidos aos pacientes em recuperação.


1 – Manutenção da abstinência de substâncias psicoativas em um ambiente terapêutico controlado ou semi-controlado.


2 – Vida comunitária com outros usuários em recuperação.


3 – Ênfase na divisão de responsabilidades com companheiros de recuperação e conselheiros.


4 – Aconselhamento suportivo e baseado em prevenção da recaída.


5 – Apoio individual, promoção da educação, treinamento e experiências vocacionais.


6 – Preocupação com as condições de moradia e o processo de reabilitação psicossocial do paciente.


7 – Apoio e cuidados pós-alta.


Há quatro dimensões comportamentais visadas para que o indivíduo opere a ressocialização terapeuticamente objetivada: (1) o desenvolvimento individual, marcado pela aquisição de atitudes mais maduras, melhor habilidade para lidar com a emoção e construção da identidade; (2) a mudança de aspectos subjetivos do comportamento, relacionada às experiências e percepções do indivíduo quanto às circunstâncias externas que fomentam o consumo de drogas, as motivações internas para a mudança, a prontidão para o tratamento, a identificação com o método terapêutico e a percepção crítica da mudança obtida ao longo do processo; (3) a incorporação de princípios comportamentais e sociais, tais como a auto-eficácia, o entendimento do papel social e da necessidade de se colocar no lugar do outro; (4) a integração social, possível apenas se pautada pela cooperação, conformidade e comprometimento.

Indicações

Segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) , a presença dos critérios diagnósticos para uso nocivo e/ou dos critérios diagnósticos para dependência química indicam a internação em Clínicas de Recuperação

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