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Tratamento para dependentes químicos

Terapia Cognitivo Comportamental – Dependência Química

Dependência Química: Modelos Teóricos

•Diferentes modelos tentam explicar a dependência química. Irei apresentar agora os mais conhecidos.

Modelo Moral

Para o modelo moral, o uso de substâncias e a dependência química seriam escolhas pessoais. Esse entendimento torna o indivíduo sujeito a críticas sobre a doença, sendo ele responsável por ela e , como tal apto a arcar com todas consequências em quaisquer situação. Esse modelo muitas vezes faz do paciente intoxicado um alvo de críticas, desatenção e punição em serviços de saúde.

São exemplos de pensamentos gerados por essa concepção: “TANTA GENTE DOENTE E ESSE AI CAUSANDO CONFUSÃO PORQUE BEBE” ou “ESSE PACIENTE VIVE CHEGANDO DROGADO NO PRONTO-SOCORRO, MELHOR ATENDER RÁPIDO E MANDAR LOGO EMBORA”.

O modelo moral é uma abordagem em desuso para o tratamento da dependência química. Apenas responsabilizar o paciente pelo quadro de intoxicação não torna o profissional diferente das pessoas em geral (família, empregador, vizinhos), as quais muitas vezes já apresentaram esse tipo de postura. O indivíduo é levado a responsabilizar-se como causador da dependência e por mantê-la por não ter a “FORÇA DE VONTADE” que promove mudanças comportamentais bem sucedidas.

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Modelo da temperança ou sobriedade

No século XVIII, consumo de álcool começou a ganhar mais atenção, e quadros de embriaguez passaram a ser considerados doença a partir de trabalhos científicos.

No final do século XIX, nos Estados Unidos, o modelo da temperança ou sobriedade surgiu e teve certa credibilidade até 1933, sendo a primeira tentativa estruturada para entender a etiologia do alcoolismo.

O modelo da temperança, diferentemente do modelo moral, não considerava a embriaguez um pecado cometido por falha de caráter do indivíduo, mas um habito a ser desaprendido.

O intuito seria encontrar um equilíbrio do consumo de álcool, de forma que o sujeito retornasse ao estágio anterior à dependência.

Esse modelo servia na época para entender a dependência do álcool para ciência.

Hoje sabemos que o consumo “começa como uma escolha, torna-se um habito e, depois, uma necessidade”

Deveria haver uma fronteira entre o consumo  adequado e o patológico, e as pessoas que tivessem ultrapassado esse limite deveriam retornar ao consumo sem prejuízo.

A lei seca, ocorrida entre 1919 e 1932, foi o auge desse movimento, proibindo a fabricação e o consumo de bebidas alcoólicas.

Modelo da degenerescência neurológica

Primeira vez publicado pela Suécia um trabalho científico no qual, pela primeira vez a palavra ALCOOLISMO foi utilizada, e o fenômeno foi entendido como uma patologia. Houve forte tendência a acreditar que o tratamento deveria ser igual ao de outras doenças na época como: banhos de vapor, tônicos, uso de sanguessugas, etc.

Modelo Espiritual

Em 1935, Bill Wilson e Robert Smith criaram os Alcoólicos Anônimos. A dependência de álcool, nesse modelo, é entendida como uma condição que o indivíduo é incapaz de superar a si só.

A esperança de mudança consiste em entregar a vida a uma força superior, e, a partir daí, segui-la rumo à recuperação. Praticar o programa de 12 passos é fundamental para a recuperação.

A partir do A.A, diversas outras irmandades foram criadas seguindo, basicamente, a programação dos 12 Passos.

O Al-anon e o Alateen  foram criados para familiares de dependentes de álcool; além desses, há o NA (Narcóticos Anônimos), o DASA (Dependentes de amor e sexo anônimos), o Neuróticos Anônimos, o CCA ( Comedores Compulsivos Anônimos) e muitas outras que não iremos citar aqui.

Entenda para que você consiga atingir uma recuperação duradoura, ou seja, viver sem álcool e drogas, você primeiro precisa entender o fundamento.

Modelo psicológico

A seguir, são apresentadas diversas escolas de pensamento voltadas ao modelo psicológico que tentam explicar o surgimento da dependência química.

Condicionamento Clássico – As situações do cotidiano provocam estímulos, produzindo respostas no indivíduo –

Condicionamento Operante – O consumo de substâncias psicoativas que produz bem-estar, relaxamento e quadros de euforia ou retirando sensações de ansiedade e mal-estar (reforços positivos e negativos) – resultaria em padrões de comportamento.

Modelo Cognitivo-Comportamental

Buscas ressaltar a importância dos processos mentais sobre os comportamentos. O esforço do modelo volta-se para o entendimento das expectativas do indivíduo acerca dos efeitos do álcool e de outras substâncias. Expectativas positivas podem promover consumos mais pesados.
O modelo de prevenção a recaída ressalta a importância dos processos cognitivos na evocação ou evitação da recaída.

Quando a pessoa aprende que o consumo de álcool é capaz de trazer alívio diante de situações estressantes, aumentam as chances de manter o comportamento para situações desse tipo e generalizá-lo para outras.

Modelo Psicanalítico

A dependência de substâncias estaria ligada a tentativas de retorno a estados prazerosos infantis. A doença é explicada a partir da “hipótese da automedicação” a interações disfuncionais na primeira infância, como vulnerabilidade no desenvolvimento da autoestima, construção de relacionamentos e de intimidade problemáticos, habilidade de autoproteção com prejuízos e déficits de tolerância ao afetos.

Modelo de aprendizado social

Discorda de que o indivíduo nasça dependente. O aprendizado não é só o contexto da substância, mas do que ela pode proporcionar ao indivíduo. O modelo sociocultural apresenta uma visão mais ampla sobre o papel da sociedade e das subculturas na modelagem dos padrões individuais de consumo, pois propõe intervenções macrossociais para atuar nas questões das substâncias (ex.,aumento de preços, normas claras sobre o consumo, cumprimento de punições prevista, proibição de anúncios, etc.)

Modelo Sistêmico

O comportamento individual é a parte interativa de um sistema social mais amplo, no qual a família se destaca. No entendimento das atitudes do dependente, consideram-se seus relacionamentos (em vários níveis). O sistema (família) tende a manter um equilíbrio – muitas vezes precário – que resiste às mudanças. O modelo propõe que a dependência química é um distúrbio familiar, e a mudança de comportamento do dependente provocaria desagrado ou resistência da família. A terapia Familiar é um instrumento indicado para alcançar o sucesso terapêutico.

Modelo Biológico

O transtorno relacionado ao consumo de substâncias seria primário e independente de outras condições. Esse modelo estuda a herança genética e a constituição biológica do indivíduo e como tais características determinam o surgimento da dependência. Estudos com famílias, de gêmeos e adoção enfatizam a importância das características biológicas dos indivíduos para o surgimento desse processo, como por exemplo, estudos com gêmeos idênticos separados na infância e adotados por famílias diferentes, características evoluindo para quadro de dependência química na idade adulta.

Na década de 1970, a Organização Mundial de Saúde (OMS) desenvolveu uma nova conceituação sobre a dependência química, considerando-a como uma síndrome que obedece uma continuidade de gravidade. Além disso, estabeleceu uma distinção entre consumo abusivo e dependência.

Modelo biopsicossocial

Segundo esse modelo, uma multifatoriedade está envolvida no surgimento da dependência química. As diferentes teorias associadas seriam necessárias para determinar a doença, e o indivíduo não teria apenas uma única causa para explicar o desenvolvimento, o curso e o prognóstico do problema. A substância seria apenas um dos fatores de uma tríade que incluiria o indivíduo e a sociedade de que faz parte e na qual a substância se encontra.

Conceitos sobre o consumo de substâncias Psicoativas

Diante de um consumidor de álcool e/ou outroas drogas, é necessário saber de que forma ele faz o uso da substância. Nem todos os abusadores se tornarão dependentes. O uso nocivo pode ser tão perigoso quanto determinados casos de dependência, e o uso esporádico pode ser ainda mais perigoso (ex., um jovem que bebe em grandes quantidades apenas nos fins de semana e que dirige alcoolizado pode se tornar um perigo maior para ele próprio e para sociedade do que um alcoolista crônico que não dirige). As distinções entre uso, abuso e dependência, embora não sejam muito nítidas, podem ser explicadas da seguinte maneira;

Conceitos sobre o consumo de substâncias Psicoativas

Uso

-Seria experimentar ou consumir esporadicamente ou de forma episódica, não acarretando prejuízos por conta disto.

Abuso ou Uso Nocivo

-No consumo abusivo, há algum tipo de consequência prejudicial, seja social, psicológica ou biológica.

Dependência

-Ocorre perda de controle no consumo, e os prejuízos associados são mais evidentes.

Mais detalhes

Colaboradores propuseram sinais e sintomas fisiológicos, cognitivos e comportamentais para caracterizar a síndrome de dependência do álcool, e a partir dessa definição, observou que muitas outras dependências seguiam padrões semelhantes. Segundo os autores, na dependência do álcool ocorreriam os seguintes fenômenos.

Estreitamento do repertório do beber – Tendência a ingerir bebidas alcoólicas seguindo um padrão. A pessoa bebe a mesma quantidade, estando acompanhada ou não, nos dias úteis ou nos fins de semana. Os dias de abstinência ou de consumo baixo tornam-se cada vez mais raros. Influências sociais e psicológicas ficam cada vez menos importante(ex., bebia apenas para comemorar; hoje, bebe quando está feliz, triste, sozinho ou na presença de outras pessoas, de dia ou de noite e em qualquer dia da semana).

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